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“Fósseis” virais em abelhas mamangavas (Bombus sp.): pesquisadores da UESC destacam papel da paleovirologia na conservação de polinizadores

Esta nova descoberta aprofunda o entendimento da comunidade científica sobre a complexa dinâmica das integrações virais em genomas de eucariotos.



 Figura1. Abelha do gênero Bombus.

 

Publicado no periódico Mobile DNA, o estudo em foco identificou e caracterizou sequências virais integradas aos genomas de abelhas do gênero Bombus (Mamangavas), com o intuito de desvendar possíveis mecanismos que favoreçam a sobrevivência dessas abelhas. Os chamados Elementos Endógenos Virais (EVEs), ou “fósseis” virais, são sequências de vírus (que originalmente infectavam o organismo) que foram integradas ao genoma de seus hospedeiros em células germinativas e se perpetuaram ao longo das gerações, possivelmente apresentando uma função vantajosa para o hospedeiro.


Figura 2. A árvore evolutiva (à direita) combina bem com o padrão de semelhanças entre as espécies de Bombus na presença desses fragmentos virais no genoma, ou seja, as EVEs são compartilhadas entre espécies próximas filogeneticamente, o que corrobora uma possível origem comum. No heatmap (à esquerda), espécies mais próximas entre si tendem a apresentar padrões mais semelhantes, formando grupos.



Os pesquisadores foram capazes de identificar EVEs por meio da aplicação de ferramentas de bioinformática em dados publicamente disponíveis, acompanhada de validação experimental. Em quase todas as abelhas analisadas, revelou-se que existem sequências antigas, provavelmente derivadas de uma integração em um ancestral comum, conservadas na maioria das espécies.


O estudo aponta a conservação destas sequências como um forte indício de que elas desempenham um papel importante para as mamangavas e que tal papel pode estar relacionado à resposta imune antiviral nestas abelhas. Essa conclusão é corroborada pela atividade transcripcional destas sequências.


A pesquisa coordenada pelo professor Dr. Eric Aguiar, do departamento de Engenharias e Computação (DEC) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)  que atua nos Programas de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular (PPGGBM) e Modelagem Computacional (PPGMC), destaca a importância de estudos de cunho investigativo para viabilizar o desenvolvimento de ferramentas biotecnológicas que aumentem a sobrevivência de colônias de polinizadores de importância agronômica e ecológica diante dos desafios atuais que essas populações enfrentam.


Os autores ressaltam que é necessária investigação exaustiva empírica/laboratorial para definir com certeza o papel real destas sequências conservadas nos genomas das mamangavas e, assim, promover a elaboração de propostas para auxiliar a sobrevivência destes polinizadores.


Para mais informações, acesse o artigo completo.

 
 

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